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20/12/2008 às 13:26:00

Agradecimento ao Figueira

Wilson Junior

Prezados leitores,

mais uma vez vou deixar vazar minha veia alvinegra neste espaço para homenagear o belo final de campeonato feito pelo Figueirense na Série A de 2008. O ano vai ficar marcado pelo descenso, é verdade, mas trata-se de um rebaixamento muito diferente de todos os que eu já vi. É uma queda de cabeça erguida, consciente dos erros anteriores e marcada por um renascimento que quase evitou a tragédia anunciada.

Honrados jogadores,

Muito obrigado pelas quatro semanas mais mágicas que este clube já presenciou ao longo de sua história. Já tivemos momentos mais gloriosos, de mais alegria, mas a magia vista nas últimas três rodadas deste Campeonato Brasileiro foi descomunal, de emocionar, uma história daquelas para ser passada de geração em geração. E, por incrível que pareça, muito diferente daquelas que se contam às crianças, esta não teve um final feliz.

Mas deixemos o final um pouco de lado para tirar uma lição do que aconteceu nesta reta final. Comprometimento. Esta é a palavra. Por parte dos torcedores, dos jogadores, da diretoria e até de um técnico que não tinha nada a ver com a história e foi chamado de louco por assumir uma situação dessas.

Pelas nossas contas, precisávamos de três vitórias em três jogos. Talvez menos que isso, mas era melhor se garantir. Todo mundo duvidou do Figueirense. Diziam que teríamos de contar com um milagre para ficar na primeira, porque as três vitórias eram praticamente impossíveis.

Nós, torcedores do Figueira, discordamos. ACREDITAMOS nas três vitórias, no VENCER, VENCER, VENCER... lançamos a campanha do EU ACREDITO, mandamos as cartas e fizemos o pacto para estar ao lado de vocês em cada um desses três jogos, confiantes de que cumpririam a missão, passo a passo.

Veio a virada sobre o Náutico, buscamos mais três pontos contra o Botafogo no Engenhão e fechamos com chave de ouro na emocionante e inesquecível partida contra o Inter. O placar desfavorável de 1 a 0 ao final do primeiro tempo poderia ter sido o balde de água fria, o fim de tudo, mas havia um objetivo a cumprir, um compromisso dos jogadores com a torcida que compareceu e cumpriu sua parte até o fim. Vieram três gols, uma virada espetacular, de fazer emocionar o mais frio dos torcedores. Missão cumprida.

A lágrima citada na última carta já estava no rosto. Faltava saber qual seria o gosto quando chegasse à boca. Um trajeto demorado. Lágrima que foi escorrendo devagarinho enquanto esperávamos notícias da Vila Belmiro. Vai, Santos... faz um gol! Não fez... e as lágrimas encharcaram o rosto com o gosto amargo da frustração. Prestem atenção: escrevi frustração, e não vergonha. Fomos rebaixados, mas de cabeça erguida, por lutar até o final, por termos acreditado na permanência e feito o máximo para que ela acontecesse.

Como eu disse lá em cima, as quatro semanas foram mágicas. No entanto, pagamos o preço por todas as semanas anteriores. De um futebol descomprometido, de derrotas e de empates cedidos no último minuto. Falta de atenção. Caímos no saldo de gols e a atuação desses três últimos jogos prova que poderíamos ter feito um campeonato muito melhor, bem longe da situação de perigo. Mas discutir os erros do passado não é o propósito desta carta, já que elas também não existiam naquele tempo.

Não adianta querer achar um culpado. Somos todos. Jogadores, diretoria, os treinadores que por este clube passaram e nós, torcedores. Sim, a torcida também tem sua parcela de culpa. Precisamos sentir a agulha na garganta para gritar por socorro. ACREDITAR, acreditamos, desde o começo. E acreditamos tanto que não acreditávamos nos tropeços que nos levaram à zona de rebaixamento. Foi aí que a manifestação se fez necessária. E se tivéssemos agido antes? Se em vez de reclamar, reclamar, reclamar, tivéssemos mostrado todo o nosso apoio? Será que chegaríamos ao ponto que estamos? Talvez não.

Serviu como lição. De que o apoio tem que ser constante e, na maioria das vezes, funciona mais do que a cobrança - também necessária, mas em sua devida medida e ao seu devido tempo. Tenho a certeza de que aprendemos e de que o comportamento da torcida será muito diferente daqui pra frente. E será muito importante que assim seja na Série B que nos aguarda. Paixão não tem divisão e cabe também a nós, torcedores, devolver o Figueirense ao lugar que ele merece, por tudo o quanto cresceu nestes anos seguidos de primeira divisão.

É duro cair para a Série B depois de tão acostumados a permanecer na elite? Sim, é duro. Mas é preciso encarar a realidade de frente.

O importante é que caímos, sim, mas caímos de pé, de cabeça erguida. E voltamos para a Série B numa situação muito diferente daquela em que enfrentávamos no ano de 2001, na última vez em que disputamos a segunda divisão. Ao longo dos últimos 7 anos, o Figueira ganhou projeção, respeito e não há dúvidas de que seremos temidos por nossos adversários em 2009.

Muitos falam em iniciar uma reação, eu discordo. A reação já foi iniciada nesses três jogos que encerraram nossa participação na Série A. A arrancada rumo à primeira divisão já foi dada. Infelizmente, levaremos 38 jogos e não apenas os três que faltavam para seguirmos na elite, mas tudo conspira a nosso favor. Por mais que alguns tenham saído, a essência fica, o espírito de luta mostrado neste final de campeonato tem que ser o mesmo e cabe aos que ficaram passar essa energia àqueles que virão.

De qualquer forma, temos no comando um treinador que certamente saberá como motivar esses jogadores para o retorno. Emocionou demais ouvir o Pintado falando, ao final do jogo contra o Inter, que o lugar do Figueirense é na primeira divisão. Mostra bem o quanto este digno treinador vestiu a camisa, assimilou a realidade do clube e tem noção do potencial que terá em mãos para o ano que chega.

Os dias que se seguiram ao rebaixamento foram tristes para toda a nação alvinegra. É como fechar as malas e dar tchau no portão para alguém que se ama, com a esperança de voltar logo, mas sem a certeza de quando será esse retorno. É a sensação da cortina se fechando no palco após um grande espetáculo. É como acordar de um grande sonho.

Mas é na dificuldade que se prova a grandeza. E chegou a hora do Figueirense mostrar ao futebol brasileiro qual é o seu verdadeiro lugar. Aventureiro de Série A?? Duvido. Temos a maior torcida do estado, uma torcida que foi exemplo neste final de 2008. Temos um clube que soube se estruturar. E temos verdadeiros guerreiros em campo. Por mais que o elenco se renove, a essência fica e os jogadores que sobem da base sabem bem o que significa jogar pelo Figueirense.

O ano de 2009 vai mostrar ao Brasil, a todos aqueles que não acreditavam, que o Figueira é uma realidade. Espero do fundo do coração que este final de ano tenha servido como lição. Juntos... torcedores, jogadores, diretoria e treinador, vamos fazer do novo ano um ano de vitórias alvinegras. Temos um Catarinense, uma Copa do Brasil e uma Série B pela frente. E uma honrada história de reviravolta na retaguarda. Não tenho dúvidas de que será um sucesso.

Obrigado, jogadores. Contem sempre com a gente. E para aqueles que saíram ou venham a sair, espero que levem o Figueirense sempre em suas recordações como um clube diferente de todos os que vocês já viram. Grandiosidade não é só tamanho de torcida ou estrutura, é espírito.



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