Não me agradou em nada a goleada brasileira diante do Chile neste final de domingo. Não pelo futebol apresentado. Não pelas marcações da arbitragem. Não pelas alterações feitas por Dunga. Foi pelo resultado mesmo e pela ineficiência do ataque chileno. Admito: não queria que o Brasil ganhasse. E conheço um bom punhado de gente que também não queria. Estranho? Sim. Mas posso apostar que a vitória da Seleção Brasileira em Santiago foi uma das menos comemoradas em todos os tempos.
A torcida contra cresce na mesma proporção em que a Seleção perde a simpatia do público. É isso que acontece. Vou falar por mim, sabendo que estou expressando o sentimento de muitos, mas sem tomar a palavra de ninguém. Não é nenhum tipo de antipatriotismo. É uma questão do mal pelo bem. Não quero torcer por Dunga como técnico. Não quero torcer por Josué e Mineiro. Não quero torcer pelo contra-ataque. Não quero um Gilberto Silva que foi excomungado do Arsenal. Não agüento o mala do Robinho.
Sentimentos como esses se misturam com a simpatia por um ou outro atleta. Não acho, por exemplo, que Júlio César, Lúcio e Luís Fabiano tenham algo a ver com a antipatia do time brasileiro. Mas acabam pagando o pato. Pato. Eis outro que corre o risco de ser queimado jogando sob a tutela de Dunga como técnico. Melhor não ser convocado mesmo para não associar sua imagem com a de um time fracassado.
O pior de tudo é que muitas vezes não adianta torcer contra. Hoje, por exemplo, o Chile não ajudou em nada. Talvez no pênalti não convertido pelo Brasil, que contou com o mérito do goleiro, sim, mas também com uma cobrança mal feita por Ronaldinho Gaúcho. De resto, o time chileno conseguiu dar mais raiva que o brasileiro. Dominaram as ações ofensivas por quase toda a partida, mas ameaçaram pouco o gol defendido por Júlio César. Um festival de finalizações erradas e tentativas de ludibriar a arbitragem.
A nossa maior esperança, enquanto chilenos por um dia, era o craque Valdívia, que bem conhecemos por aqui. Mas nem o Mago resolveu. Começou no banco e foi expulso logo no começo do segundo tempo. Expulsão injusta, sob um ponto de vista mais chileno do que brasileiro. Luís Fabiano fez faltas piores – ou, no máximo, do mesmo nível – e recebeu apenas um amarelo. E o Chile acabou prejudicado no momento em que mais se aproximava do gol, aproveitando a vantagem numérica que deixou de existir naquele momento.
A inoperância do ataque e a fragilidade deixaram até escapar um “bem feito” quando Luís Fabiano marcou o terceiro gol brasileiro. Era a antipatia mudando de lado. Afinal, a seleção chilena fez lembrar muito nessa partida o nervoso que o Brasil tem nos feito passar de uns tempos pra cá.
Não significa, porém, que eu vá buscar a velha camisa amarela na gaveta e torcer como um louco contra a Bolívia. Afinal, se os chilenos não servem como parâmetro, o time boliviano fora de La Paz soa como um catado do campinho aqui perto de casa (repleto de bolivianos, por sinal). De coração? Espero que a Seleção Brasileira pense assim também, suba no salto, esqueça da bola e seja pega de surpresa. Quem sabe assim as coisas mudem e, com técnico de verdade, voltemos a torcer pelo Brasil.
Quem foi, foi. Quem não foi, fica. Secando a amarelinha, mesmo em velada consciência.