FUTEBOLSC.COM > O portal do futebol catarinense


Notícias » Artigos

Tamanho da letra:
01/07/2008 às 03:03:00

Ah, a Euro!!

Wilson Junior

Foram exatos 22 dias de uma disputa emocionante. Um evento de primeiro mundo, com organização exemplar. Em campo, grandes partidas, belos lances, exibições verdadeiras de raça e amor à camisa. Sem falar na qualidade das transmissões. Pouco mais de três semanas que deixaram até o futebol nacional em segundo plano. Corinthians, São Paulo, Flamengo dividiam as discussões nos bares com Itália, Portugal, Turquia, Holanda... Foi fantástico acompanhar a Eurocopa 2008, ainda que pela televisão, e observar como o país do futebol vai aprendendo, aos poucos, a respeitar e admirar o que vem de fora. Como bem definiu o slogan da TV Record, a Eurocopa “é muito mais que futebol”.

Foram partidas emocionantes e de alta qualidade técnica do começo ao fim – salvo algumas raras exceções como Áustria x Polônia. De resto, só jogão. E é de trás pra frente que vamos analisar o que suíços e austríacos tiveram a honra de ver em seus gramados.

A decisão

Que jogo, que xadrez, que final!! E que exibição do time da Espanha. A Fúria exibiu contra a Alemanha aquilo que há muito tempo se espera: personalidade. O que se viu em Viena foi uma seleção espanhola hiper-determinada, disposta a entregar a alma em troca da taça. E foi exatamente assim que se definiu o confronto.

Sabedores de que o time alemão não desperdiçaria uma chance sequer, como vinha sendo ao longo de toda a Euro, os espanhóis simplesmente anularam o rival. Podolski e Lahm não encontravam espaço pela esquerda - e as alternativas pelo meio paravam na ótima marcação da Fúria. Desta forma, a Alemanha, pouco ameaçou o gol do ótimo Casillas.

A atuação do meio-campo espanhol foi perfeita. Marcos Senna era um leão à frente da zaga, já contando com o bom trabalho dos falsos volantes que o acompanhavam e davam início ao combate. Xavi, Iniesta e Fábregas são jogadores de boa marcação que sabem o que fazer com a bola nos pés. Com isso, o contra-ataque era um “deus-nos-acuda” para a marcação alemã. O trio disparava com leveza invejável - e ainda tinha a companhia de David Silva.

Ainda que Villa desfalcasse a equipe, o técnico Luís Aragonés soube aproveitar muito bem a presença de área de Fernando Torres. Não foram poucas as vezes que ‘El Niño’ ficou no mano a mano com a zaga alemã. Aliás, foi justamente numa dessas ocasiões que saiu o gol do título... um gol de artilheiro, que contou com a saída errada de Lehmann.

Só não deu para entender a alteração de Joachim Low no intervalo, trocando Phillip Lahm por Jansen. Por mais que o objetivo fosse proteger melhor a defesa, o baixinho era um dos poucos do time com ginga e habilidade para superar o bloqueio espanhol, como já fizera na semifinal diante da Turquia.

Kevin Kuranyi, mais um brasileiro naturalizado, também não entrou bem. Nervoso, pouco produziu na frente e ainda parava bons lances com falta. Na melhor oportunidade, cruzou forte demais para Mario Gómez. Entrou para ser o salvador da pátria, mas não era a pátria certa.

O título europeu não só comprovou a personalidade, como dá ao time espanhol a confiança que faltava para bater de frente com os grandes. Agora campeã européia, a Espanha é uma seleção temível, sim, que merece o respeito até de Brasil e Argentina. Quem sabe não pinta, enfim, uma boa campanha em Copa do Mundo. Até hoje, a única seleção que conquistou o planeta logo após vencer uma Euro foi a Alemanha de 72-74.

As surpresas

Para chegar à decisão, Alemanha e Espanha superaram nas semifinais as grandes surpresas do torneio: Turquia e Rússia.

Os turcos foram, por um momento, os queridinhos da Euro, pela forma como conseguiram chegar às semi, com vitórias sempre no soar do gongo. Foi assim na primeira fase, contra a Suíça e a República Tcheca, e depois, nas quartas-de-final, com o histórico duelo diante da Croácia. O gol sofrido aos 13 do segundo tempo da prorrogação foi uma sentença de morte não aceita pelos turcos, que chegaram aos pênaltis moralmente vitoriosos para selar a vaga. E quando sonhar com uma nova glória parecia demais, a desfalcadíssima seleção turca deu um trabalho danado para a Alemanha, que penou para conseguir os 3 a 2. Uma campanha para ser lembrada tanto quanto a do terceiro lugar na Copa de 2002.

Já a Rússia chegou, digamos, com um pouco mais de mérito entre os últimos quatro. Muito disso em função da complicada vitória sobre uma Holanda que era sensação até então. Uma trajetória com o dedo justamente de um holandês. Sem jogadores badalados, o técnico Guus Hiddink fez o meia Arshavin, camisa 10 da Rússia, voltar do torneio como um dos atletas mais valorizados do último mês. Na definição dos semifinalistas, um possível título russo já era encarado com naturalidade. Faltou, porém, o comprometimento do jogo anterior. O time relaxou demais... e levou mais uma goleada da Espanha.

Favoritos pelo caminho

As quartas-de-final trataram de mudar tudo que se pensava sobre as seleções favoritas até então.

A Holanda, tida como melhor equipe da competição, depois da excelente primeira fase com goleadas sobre Itália e França, parou na marcação russa. De nada valeram os gols. De nada valeu o show. Os holandeses deixam mais uma vez a marca do bom futebol, da habilidade... e só.

Já a Itália, passou a Euro tentando se reabilitar do “sacode” que levou da Holanda logo na estréia. Donadoni mexeu aqui, mexeu ali, empatou com a Romênia. Mexeu mais um pouco e ganhou da França. A vaga tinha um semblante de renascimento. Parecia que, a partir dali, tudo iria mudar. Donadoni, então, mudou o time mais um pouco, para superar os desfalques de Pirlo e Gattuso. E o “catadão” italiano não se achou diante da Espanha. Uma derrota nos pênaltis, para ser ainda mais amarga. E foi ali que os espanhóis começaram a acreditar.

Também tinha Portugal. A primeira fase foi tranqüila. Liderança garantida em dois jogos, a seleção lusitana se deu ao luxo de jogar com os reservas diante da eliminada Suíça. O que não estava muito nos planos era a segunda posição da Alemanha na outra chave. Jogar com croatas, austríacos e poloneses seria bem mais tranqüilo. E, faltou, mais uma vez, o bendito do centroavante. Nuno Gomes marcou, Postiga também, mas o bombardeio no fim do jogo com a Alemanha era digno de mais. Há quem culpe Cristiano Ronaldo. Realmente o melhor do mundo não jogou tudo o que sabe. Mas a coisa já estava bem esquisita quando Felipão foi anunciado como técnico do Chelsea bem no meio da Euro.

O resto

O resto... bom, o resto foi resto mesmo.

A França vai ser órfã de Zidane como foi de Platini até o surgimento de Zizou. Grupo da morte é uma ova. O time francês até tem alguns bons jogadores, mas não fez cócegas nem na Romênia, que só tinha o Mutu. E ganha prêmio quem entender como Trezeguet não tem lugar nessa seleção. Medíocre.

A República Tcheca foi traída pelo azar. Com os melhores da linha contundidos, só sobrou Petr Cech. Sozinho, o goleirão do Chelsea ainda vacilou no gol da Turquia. E ficou por isso mesmo.

A Suécia provou que Ibrahimovic, sozinho, não faz milagre. Muito menos quando está se tratando de um problema no joelho.

A Grécia... enfim, essa parou em 2004. Jura que alguém acreditava de novo neles?

Pra finalizar, Áustria e Suíça já mandaram um recado à Polônia: jogar em casa faz mesmo a diferença... desde que se tenha um time!!

Quem foi, foi. Quem não foi, fica. Torcendo pra não vingar a idéia do Platini de aumentar o número de participantes para 24. Aí vira Copa do Mundo...






2004 - 2009 Futebolsc.com © Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Webalize