Que final de Campeonato Italiano!! Um dos roteiros mais bem escritos pelos deuses do futebol, cheio de heróis e vilões, voltas e reviravoltas. Materazzi quase foi o grande vilão, mas foi salvo pelo sueco Ibrahimovic, o mocinho da vez, um cara que garantiu pra sempre o respeito dos italianos após a atuação do último domingo.
Foram 38 rodadas de indas e vindas, como em qualquer campeonato de pontos corridos no mundo, mas com um final eletrizante. A Inter de Milão disparou na ponta, fez um primeiro turno fantástico, demorou 26 rodadas pra conhecer a primeira derrota e, com tudo, isso deu a impressão de que levaria o tri da maneira mais tranqüila possível, pra coroar o ano de seu centenário.
O vacilo de Júlio César contra o Napoli, no jogo que derrubou a invencibilidade, mostrou que as coisas não seriam assim tão fáceis. E as maiores emoções ficaram guardadas para as três últimas rodadas.
Primeiro, a vitória do Milan sobre a Inter a apenas três rodadas do final. O que poderia ser a consagração do centenário, com uma festa justamente diante do maior rival, virou sinal de alerta. Pior: o rubronegro comemorava ali o tão sonhado lugar entre os quatro primeiros, posição que o levaria à próxima Liga dos Campeões.
A penúltima rodada, então, merece um Oscar. Tudo pronto para a comemoração interista, em casa, contra o modesto Siena, já sem pretensão alguma. E não é que eles complicaram? O empate em 2 a 2 no segundo tempo foi deixando a Inter nervosa, até que veio o pênalti. Tudo pronto para um repeteco de 2007: Materazzi na bola para fazer o gol do título contra o Siena, da marca penal, exatamente como no ano passado... até que Manninger defendeu. A Roma ganhava o jogo dela e ficava a um ponto da liderança. Bateu o desespero na equipe de Milão e ninguém conseguiu tirar a igualdade do placar.
Tudo para a última rodada. Ironicamente, os jogos de Inter e Roma, que pleiteavam a taça, eram justamente contra Parma e Catania, que lutavam para não cair. Um verdadeiro vale-tudo na rodada final. A Roma sonhava, mas não tinha obrigação, já que havia praticamente “desistido” do título há algum tempo. A pressão estava toda sobre a Inter, que não podia perder o scudetto depois de 32 rodadas seguidas na liderança. Seria uma decepção enorme para o ano do centenário.
Começam as partidas do domingo decisivo. A Roma demora apenas 9 minutos para fazer o primeiro gol, com Vucinic. As atenções se voltam todas para a chuvosa cidade de Parma. E a Inter não conseguia sair do zero com o time da casa. Foi assim até o final da etapa inicial. Faltando 45 minutos para o final do campeonato, o título estava com a Roma.
Foi aí que Roberto Mancini resolveu arriscar. Olhou para o banco e viu entre suas opções o sueco Ibrahimovic, artilheiro da equipe na temporada. Ibra não jogava desde março, porque se contundiu. Foi praticamente descartado para o restante do campeonato, mas recuperado às pressas quando a coisa apertou. Quase entrou como titular, mas não tinha condições para jogar os 90. Naqueles 45 finais, porém, era imprescindível.
Pois Ibrahimovic entrou, aos 6 do segundo tempo... e resolveu!! Precisou de 10 minutos para fazer o primeiro, dcepois ainda fez o segundo e saiu consagrado como o grande herói do tricampeonato italiano para Inter!! Justo, muito justo, para um craque com a capacidade desse gigante sueco.
E Ibrahimovic não é só o herói da conquista deste ano, é o mais autêntico campeão italiano da atualidade. Dentro de campo, venceu os campeonatos de 2005 e 2006 com a Juventus – por mais que os títulos tenham sido revogados, a campanha foi mérito dos jogadores e entre eles estava o sueco. Depois, repetiu o feito com a Inter em 2007 e 2008 pela Inter de Milão.
Com 193 centímetros, poderia ser apenas mais um grandalhão do futebol nórdico. Porém, o camisa 8 da Inter consegue reunir em todo seu corpanzil a força e a habilidade, é um dos atacantes mais completos do mundo e foi o maior injustiçado na eleição da Fifa em 2007. Ibra merecia estar, no mínimo, entre os cinco primeiros do mundo e não entrou nem na lista dos 30. Espero que a justiça seja feita em 2008.
Sorte da Inter de Milão ter um craque como ele no elenco. Afinal, só o gigante sueco teve a capacidade de resolver.
Quem foi, foi. Quem não foi, fica. Achando que bom é o Acosta...