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11/04/2008 às 11:26:00

Sem surpresa

Wilson Junior

A fase de quartas-de-final da Liga dos Campeões terminou sem nenhum resultado que surpreendesse. A zebra, desta vez, não passeou pela Europa, como em anos que levaram Porto e Mônaco à final ou Villarreal às semifinais. Dos quatro duelos desta temporada, o que mais se aproximou de um desfecho inusitado foi Chelsea x Fenerbahçe.

O clube turco dirigido por Zico se portou muito bem diante dos Blues, principalmente se levada em consideração a enorme diferença de elenco entre os dois times. O Galinho fez uma excelente leitura desta questão. No Chelsea, sai Drogba, entra Anelka. O Fener não tinha peças de reposição com tanta qualidade.

Ainda assim, o Fenerbahçe complicou as coisas, jogando da forma que podia, admitindo a condição de clube pequeno para o tamanho do torneio. Diante de uma fortíssima marcação, os turcos foram pouco ao ataque, nas duas partidas, mas quando avançaram, levaram perigo ao gol inglês.

No primeiro jogo, duas finalizações felizes resultaram em gol e iludiram grande parte da torcida e também da imprensa brasileira, eufórica com Zico. Já na partida de volta, o que surpreendeu foi a postura do Chelsea, respeitando demais a equipe do Fenerbahçe. O gol logo no começo fez os Blues recuarem, com alta eficiência na marcação, reconheça-se, e ainda assim o clube turco levou perigo. Só não empatou o jogo por causa de duas ótimas defesas de Hilário.

A eliminação do Fenerbahçe foi digníssima. A campanha da equipe turca nesta temporada fica marcada na história. E Zico pode se sentir altamente responsável, principalmente pelo elenco que montou, com toda limitação financeira, apostando em jogadores conhecidos do futebol brasileiro como Lugano, Maldonado, Alex, Deivid e Edu Dracena.

Emoção à inglesa

O duelo mais interessante das quartas-de-final foi visto na Inglaterra. Liverpool e Arsenal proporcionaram ótimos jogos, principalmente o segundo no Anfield Road. Uma partida de seis gols para calar aqueles que se acostumaram a estigmatizar o futebol inglês como ‘jogo chato de chuveirinho’.

A experiência e tradição em Liga dos Campeões pesaram a favor do Liverpool, mas o Arsenal deixa a competição sob aplausos e com recado anunciado: vai incomodar muito nos próximos anos. Trata-se de um time jovem e cheio de personalidade. Com tempo e o entrosamento, será difícil segurar garotos como Walcott, Fabregas e Hleb. Olho neles!!

Já o Liverpool se credencia como principal concorrente do Manchester na disputa pelo título. Trata-se de um time equilibrado, que manteve o controle emocional nos momentos de maior aflição destas quartas-de-final: para virar quando o Arsenal fez 1 a 0 no duelo de volta e para retomar à dianteira quando os Gunners empataram em 2 a 2.

O meio-campo dos Reds tem uma consistência de fazer inveja a qualquer time do mundo. Rafa Benítez escala Mascherano, Xabi Alonso, Gerrard e Sissoko, com o brasileiro Lucas no banco. O amigo Ricardo Romani, editor do Jogo Aberto na TV Bandeirantes, encontrou no You Tube um canto dos torcedores do Liverpool dizendo “nós temos o melhor meio-de-campo do mundo”. É bem provável que tenham razão.

Domínio inglês

Além de Chelsea e Liverpool, o Manchester também avançou às semifinais da Liga dos Campeões, repetindo o trio de ingleses que chegou entre os quatro na temporada passada. Não é de se espantar. O sucesso é resultado de uma abertura de mercado na última década que permitiu aos clubes da Inglaterra montarem verdadeiras seleções internacionais, como definiu Zico após a eliminação do Fener.

Por muito tempo, os ingleses foram os mais chatos para permitir a entrada de jogadores estrangeiros, impondo uma série de restrições, como ter passagem pela seleção nacional. Com o estabelecimento da União Européia e o surgimento dos jogadores “comunitários”, estas regras se afrouxaram, e a Inglaterra montou um dos campeonatos mais interessantes do mundo. Os craques, ingleses ou não, garantem público nos estádios, e o público garante a vinda de novos craques.

Dos três ingleses classificados, o Manchester é o que tem mais impressionado, sendo considerado por muitos o melhor time do futebol mundial na atualidade. Eu concordo e grande parte disso se deve à presença de Cristiano Ronaldo no elenco. O português tem tudo para levar o título de melhor do mundo em 2008, já que o mau momento do Milan desfavorece o brasileiro Kaká, que é sem dúvidas o mais completo.

Os Diabos Vermelhos estão tão à frente que no jogo de volta contra a Roma se deram ao luxo de poupar os três principais homens de frente. Cristiano Ronaldo, Rooney e Scholes foram para o banco. Ainda assim, a equipe tinha Tévez, Giggs e o brasileiro Anderson na formação titular. Foi quase um deboche.

Estranho no ninho

Cabe ao Barcelona exercer o papel que foi do Milan na temporada passada, quando o time italiano matou o Manchester nas semifinais e engoliu o Liverpool na decisão. Capacidade e elenco para tanto, o Barça têm. O que prejudica o clube catalão é o momento fora de campo, em meio a crises e questionamentos.

As atuações contra o Schalke 04 não devem ser tomadas como parâmetro. O clube alemão era muito inferior e não exigiu do Barcelona tudo que o time é capaz. A história será outra nas semifinais, com o Manchester pela frente. Por sua tradição, o Barça tende a crescer e a qualidade do elenco permite à equipe jogar de igual para igual com os pupilos de Ferguson.

É uma pena que Ronaldinho Gaúcho não vá a campo para o duelo com Cristiano Ronaldo. Usando um bordão amado por muitos: “quem perde é o futebol”. O assunto é rico e merece tratamento especial numa próxima coluna.

O duelo Barcelona x Manchester deve ser, inclusive, bem mais interessante que o clássico inglês entre Chelsea e Liverpool, a julgar pela última temporada, quando a classificação da equipe vermelha foi decidida nos pênaltis, e também pela postura do clube londrino, que já se acovardou diante do Fener e não deve se arriscar muito nas semifinais.

Quem foi, foi. Quem não foi, fica. Aguardando os dias que faltam para a chegada das semifinais.






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