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18/03/2008 às 13:21:00

Zizou, ídolo

Wilson Junior

Zinedine Zidane é, definitivamente, um capítulo à parte na história do futebol mundial. O cara acabou duas vezes com o sonho brasileiro numa Copa do Mundo e é idolatrado numa visita ao país. Não é pra qualquer um. Imagino Paolo Rossi desembarcando por aqui em 83 ou Caniggia em 91. Certamente não teria esse alvoroço todo. Ou até teria, mas de um modo negativo, quase hostil.

Sim, a hospitalidade brasileira conta muito, mas só foi assim porque era Zizou. O craque francês atingiu um status de ídolo mundial, que supera a condição de carrasco da Seleção. Zidane será sempre bem recebido, em qualquer ponto do planeta, como Kaká ou Ronaldo, provavelmente o único ao qual possa ser comparado, pelo futebol e pela dignidade.

Conseguem isso porque, além do show que proporcionam no gramado, são jogadores que estão ligados a causas humanitárias, tão e justamente valorizadas nos dias atuais.

Zidane tem carisma, mas um carisma diferente. Não é galã como David Beckham, não é sorridente como Ronaldinho Gaúcho. A elegância e a serenidade que mostrava em campo, jogando de cabeça erguida, com passes magistrais e precisos, se refletem no semblante do francês em suas aparições públicas. Nem a cabeçada em Materazzi na final da Copa da Alemanha foi capaz de arranhar a imagem de bom moço.

Vestir uma jaqueta verde e amarela com o nome do Brasil para sair às ruas foi mais um ato de defesa pessoal que uma rendição à pátria das chuteiras, mas foi nobre. O traje de Zidane servia como escudo para quem o visse como inimigo. É difícil até saber se foi iniciativa do ex-jogador. Talvez os organizadores, preocupados, tenham sugerido. De qualquer forma, a atitude do francês foi nobre.

Zidane foi um dos maiores jogadores que já vi atuar. Um armador de verdade. Craque na Juve e no Real Madrid. Três prêmios de melhor do mundo. Dois gols numa final de Copa do Mundo contra o Brasil, um golaço de primeira numa decisão de Liga dos Campeões e mais uma atuação magistral diante da Seleção Brasileira, nas quartas-de-final da Copa de 2006. Fatos que apenas consolidam cada segundo de seu futebol, cada detalhe do que era mostrado ao longo dos 90 minutos.

Um cara que soube tocar a carreira, que soube o momento de parar e sabe como preservar sua imagem como ex-jogador, o maior da história da França ao lado de Platini. Espero que siga assim, sem se envolver com política, administração de futebol ou propagandas baratas, como outros craques ao aposentar as chuteiras. Assim, Zidane terá preservada a lembrança de um craque magistral, fora do comum, um vencedor.

Não pude acompanhar a passagem de Zizou por São Paulo, mas tenho que me render a um dos maiores nomes da história do futebol.

Quem foi, foi. Quem não foi, fica. Vendo o Pelé fazer propaganda de banco que patrocina campeonato.



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