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14/03/2008 às 12:21:00

O dilema Amauri

Wilson Junior

Amauri? Ok, muita gente aqui no Brasil ainda nem sabe de quem se trata. Ou seja, começamos mal. Outro parágrafo, por favor.

Amauri é um atacante brasileiro, de 27 anos, que não jogou como profissional em nenhum clube do Brasil e que está com a bola toda na Itália. É o destaque do Palermo, que ocupa a oitava colocação no campeonato nacional e se firmou como clube respeitado na Série A - muito disso graças ao próprio Amauri.

Quando o Palermo investiu 8 milhões de euros no jogador, em 2006, após uma boa temporada dele pelo Chievo, muita gente torceu o nariz. Em menos de quatro meses de campeonato, Amauri mudou a opinião geral. Rápido, habilidoso e alto o suficiente para marcar gols de cabeça, ele foi o líder de um Palermo que surpreendeu no primeiro turno (isso ainda da temporada 2006/2007).

As boas atuações chamaram a atenção da seleção italiana e iniciou-se uma sondagem a respeito da possibilidade de Amauri se naturalizar para defender a Azzurra. Claro que a oportunidade mexeu com a vaidade, mas lembro de uma entrevista que fizemos com ele pelo Esporte Interativo, na qual ainda sonhava com uma chance na Seleção Brasileira.

Na época, Dunga já buscava um camisa 9 para a Seleção e o nome dele começou a ser cogitado. Jornais importantes fizeram entrevistas com ele. O Brasil estava descobrindo Amauri. Entretanto, uma contusão grave tirou o atacante de ação por toda a temporada, minando o bom momento do jogador.

Seria preciso construir tudo de novo quando retornasse, já que a identificação com o país natal é baixa. Pois Amauri se tratou, voltou aos gramado e está desfilando novamente um futebol de primeiro nível. Já na janela de janeiro, foi alvo de especulações envolvendo os maiores times da Itália. Não deu negócio, mas principalmente porque o Palermo tratou de valorizá-lo. O presidente do clube fixou o valor do atleta em 25 milhões de euros.

O valor pode parecer absurdo, mas Juventus e Milan seguem com o brasileiro nos planos para a próxima temporada. No caso rubro-negro, a proposta envolveria inclusive a cessão dos direitos de Borriello, artilheiro do campeonato com 16 gols pelo Genoa, que pertence ao Milan. Ou seja, na visão milanista, Amauri vale mais que o goleador-mor do Italiano.

Mas e o dilema que dá título à coluna? Pois é, Amauri tem uma decisão difícil pela frente. Em junho, a Itália disputa a Eurocopa e o brasileiro estaria nos planos do técnico Roberto Donadoni. A federação local, inclusive, ajudaria o atacante na obtenção da nacionalidade italiana.

Vestir azul na Euro implica abdicar da seleção brasileira – e é aí que entra o dilema. Por mais amor que tenha à pátria de origem, é preciso colocar a razão na balança. Ganhar uma chance no time de Dunga não será fácil, principalmente agora que ele parece ter encontrado em Luís Fabiano um legítimo camisa 9. Além disso, a Itália foi a nação que o acolheu, que o fez crescer como jogador e que tem carinho por ele – muito mais que o povo brasileiro até.

Participar de uma competição como a Eurocopa seria fabuloso para Amauri e ele não pode deixar essa oportunidade passar.

O outro dilema fica para Dunga. Por quê não dar uma chance ao atacante? Nessa, tenho de ficar ao lado do treinador. A seleção brasileira é o time do nosso povo e, infelizmente, esse povo não conhece o talento de Amauri. Incluir o atacante na lista de convocados seria criar um novo Afonso Alves, reavivar a pressão da torcida.

Pra chamar o atacante, Dunga precisaria de muita confiança e personalidade. Não é o caso do nosso técnico. Melhor e mais cômodo apostar numa das várias opções que tenha o apoio da massa.

E para os que ficaram curiosos com o futebol de Amauri, neste domingo a Band mostra Inter de Milão x Palermo, às 11h50, pelo Campeonato Italiano. É ver pra crer!!

Quem foi, foi. Quem não foi, fica.






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