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11/03/2008 às 11:19:00

Inter, centenária e brasileira

Wilson Junior

A Internazionale de Milão completou no domingo, dia 9 de março, 100 anos de existência, entrando assim para o hall de clubes como Flamengo, Grêmio, Juventus, Milan, Barcelona, Real Madrid, Arsenal, Manchester United, Liverpool, entre tantos outros. Não há dúvida de que se trata de um dos maiores clubes da história do futebol mundial.

Terceira maior campeã da Itália, a Inter tem também a terceira maior torcida do país e fãs espalhados por todo mundo. Devo admitir que sou um deles. Não chego a ser um interista de carteirinha porque consigo admirar o futebol do rival Milan, usar a camisa rubronegra e torcer para que a Roma alcance a líder do Italiano, colocando mais emoção no campeonato.

Minha admiração pela Inter de Milão remonta ao ano de 1995, quando Roberto Carlos foi jogar por lá. Gostava dele dos tempos de Palmeiras e passei a acompanhá-lo na Itália. Dois anos depois, foi a vez de Ronaldo chegar ao clube para vestir azul e preto. Virou paixão.

Normalmente é assim que nasce a paixão dos brasileiros por times de fora. O ídolo é que chama a atenção, num primeiro momento. Depois, vem o carinho pelo clube. E é incrível como a torcida dos times europeus tem aumentado por aqui. Ultimamente, e também por culpa da violência, tenho visto mais camisas do Milan e do Manchester que do Palmeiras nas ruas da capital paulista. Culpa de Kaká e Cristiano Ronaldo.

Voltando à Inter, citei Ronaldo e Roberto Carlos, mas a afinidade do clube com o futebol brasileiro é antiga. Jair da Costa, por exemplo, não só fez parte da melhor fase da história da Inter, nos anos 60, como foi ídolo por lá. Naquela década, a nação nerazurra se tornou bicampeã européia e mundial, com os títulos de 64 e 65.

E é justamente isso que a Internazionale busca para coroar o centenário. Ganhar a Liga dos Campeões após tanto tempo num ano tão significativo seria fantástico. A situação, porém, ficou bastante complicada nas oitavas-de-final com a derrota por 2 a 0 para o Liverpool, lá na Inglaterra.

O jogo de volta acontece nesta terça-feira, em Milão. No embalo das comemorações pelos 100 anos de clube, a torcida deve inflamar o Giuseppe Meazza. O sentimento interista está à flor da pele, após a bonita homenagem realizada no sábado, antes do jogo com o Reggina pelo Italiano, com a presença de vários jogadores que marcaram a história nerazurra, como Lothar Matthaus.

Abrir uma diferença de três gols no tempo normal não será fácil. Não pela capacidade da Inter, que tem um dos melhores elencos do mundo, mas por estar diante de um Liverpool bem preparado, maduro e entrosado. Também não é impossível. Ciente da importância que tem a permanência na Liga dos Campeões para a honra e a história do clube, motivação não vai faltar para essa equipe.

Temos tudo para assistir um jogo histórico na tarde desta terça-feira, 11 de março. A Inter pode não avançar para as quartas-de-final, mas acredito numa exibição fantástica, cheia de energia. Se me permitem um palpite, arrisco em 2 a 0 no tempo normal, com vitória obtida na prorrogação, sem pênaltis. E se, por acaso, a decisão for para as penalidades, Júlio César tem tudo para se tornar o grande herói do dia.

Torço pela Inter, não só pela afinidade que tenho com o clube, mas pelo significado que pode ter esse triunfo. O futebol merece.

Quem foi, foi. Quem não foi, fica. Torcendo para chegar aos 100 anos, como a Inter.






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