O brasileiro é conhecido pelo alto astral, bom humor, pela capacidade de improviso. No entanto, e infelizmente, tudo isso andava meio distante do mundo futebolístico. Pode até parecer incrível, mas teve que aparecer um chileno para dar mais graça ao nosso futebol. Globalização, amigo.
O “chorão” Valdívia nos proporcionou a imagem mais divertida do fim de semana com a comemoração do gol que deu a vitória ao Palmeiras, no clássico com o Corinthians. Uma provocação saudável, bem sacada, uma brincadeira descontraída com o rótulo que lhe foi criado. As explicações irônicas em tom sarcástico ainda deram um tempero especial.
Nota 10 para o chileno. É disso que o futebol precisa, de motivos para sorrir. E o craque palmeirense tem nos proporcionado isso, tanto com um futebol atrevido dentro de campo - o drible do “chute no vazio” é uma verdadeira piada - quanto com a descontração exibida fora das quatro linhas.
As matérias com Valdívia são sempre divertidas. Recordo-me de uma, em especial, de quando o chileno foi gravar o hino do Palmeiras ao lado de Marcos, no final de 2007. A gravação em si já foi um sarro, com o portunhol enrolado do camisa 10. Depois, o craque fez questão de atrapalhar a passagem do repórter Nivaldo de Cillo, com caretas e a “dança do siri”, tirando totalmente a concentração do meu amigo de Band.
El Mago, definitivamente, não é um cara pra ser levado a sério. E é por isso que a torcida gosta tanto dele. Ele só quer se divertir, e divertir também o público. Pena que muitos não entendam e que exista, ainda, um preconceito contra estrangeiros no futebol nacional. Por isso ele é tão caçado, que apanha tanto dentro de campo.
Os zagueiros parecem não aceitar que Valdívia se divirta em nossos gramados. Inferiores tecnicamente, eles apelam para a força. O chileno, malandro, faz seu circo, cai de maneira espalhafatosa e chora, chora à vontade. Faz parte do show. Diverte o torcedor e irrita ainda mais o adversário.
Viola era assim. Paulo Nunes era assim. Os decadentes Vampeta e Túlio ainda tentam ser assim. E todos eles serão lembrados para sempre pelo torcedor. Futebol é arte, é cultura, é folclore. Por isso, devemos tirar o chapéu para esses verdadeiros comediantes da bola.
Parabéns, Valdívia! Faça-nos chorar, mas chorar de tanto rir, já que ultimamente os nossos jogadores, aqui do Brasil, preferem a falsidade das declarações politicamente corretas e das reclamações contra a arbitragem. Chatice pura.
Aos torcedores, aproveitem enquanto o chileno estiver por aqui! Um dia ele ainda se cansa de apanhar e vai derramar as lágrimas lá na Europa, para a alegria de italianos, ingleses ou espanhóis. Pelo futebol que está jogando, não demora muito!! Dá até arrepio imaginá-lo ao lado de Robinho no Real, de Ronaldinho Gaúcho no Barça, de Kaká no Milan, ou Cristiano Ronaldo, no Manchester.
Chororô
Na semana passada, escrevi uma coluna reclamando exatamente da choradeira que tanto incomoda no futebol. E não foi só o Valdívia que nos fez sorrir sobre lágrimas. A torcida flamenguista abusou da criatividade, e ilustrou de forma excelente tudo que eu quis dizer naquele texto, com uma paródia em cima do grito entoado pelos botafoguenses:
“Ninguém cala esse chororó... chora o presidente, chora o time inteiro, chora o torcedor”
É esse o espírito da coisa!!
Quem foi, foi. Quem não foi, fica. Chorando ou sorrindo, a escolha é sua.