Claudinho trabalha na formação de jogadores
Fotos: Alvarélio Kurossu/FSC
O ex-jogador Claudinho, artilheiro do Caxias-RS e campeão gaúcho pelo Grêmio em 1977, continua no futebol. Aos 53 anos, Cláudio Agenor da Silva comanda um projeto social no Sul da Ilha de Santa Catarina, onde começou a dar seus primeiros chutes no futebol.
Claudinho iniciou sua carreira no juvenil do Avaí, em 1971, depois passou pelas categorias de base do Flamengo e seguiu para o Grêmio. Porém ele mantém a raiz catarinense e continua morando em Florianópolis.
No Campeche, Claudinho comanda uma escolinha de futebol para crianças carentes, mesmo com o mínimo de apoio dos empresários. “Hoje nós temos os coletes cedidos pelo Flávio Roberto, da Planeta Sports, e só duas bolas”, diz o ex-artilheiro, que dá aula para cerca de 40 meninos nas manhãs de todos os sábados no campo do SAC.
Apesar do pouco apoio, Claudinho já conseguiu levar alguns de seus alunos para as categorias de base de clubes profissionais. Há cerca de 10 anos, ele era professor dos volantes Eduardo Costa, ex-Seleção Brasileira e atualmente no Espanyol, e Crys, seu filho, que também foi formado nas categorias de base do Grêmio.
Em fevereiro deste ano, o atacante Gideão, 16 anos, foi para o juvenil do Avaí e já é uma promessa no futebol. “É um trabalho nosso lá, que ficou. E está indo bem no juvenil. Já acham que ele deve ser o titular. Assim que eu fico muito feliz. Pelo menos a gente vê que tem alguma mão da gente ali”, comenta.
A escolinha no Campeche começou em 1999, com o nome Escolinha do Baiá, primeiro patrocinador, que cedeu campo e coletes para os atletas. “Antes, a gente cobrava uma taxa deles, pro material. Mas depois chegou um momento que eles não tinham mais condições. Hoje, a Planeta Sports deu os coletes. As bolas eu consigo com uns, com outros”.
“Tem dois pais de alunos, o Paulo Prego e o Pedro Teixeira, que são os que me orientam, são os que participam bastante, que ajudam até na parte financeira”, revela Claudinho, que critica a ausência dos outros pais na escolinha.
“São poucos pais que aparecem aqui. Dizer bem da verdade, desses meninos todos, eu conheço uns quatro pais. E eles sabem que os filhos estão na escolinha, mas não vêm aqui pra saber”.
O principal objetivo de Claudinho não é formar apenas atletas, mas “seres humanos”. Ele faz duas únicas exigências para os seus alunos: boletim escolar e exame médico. “Boletim escolar é muito importante. A probabilidade de vencer no futebol é muito pouca. Há muita concorrência. Por isso estão todos estudando”.
Muitos talentos e pouco apoio

| Eduardo jogou na Alemanha |
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Além de Gideão, outros alunos da escolinha já tiveram oportunidade na base de clubes profissionais. O lateral Alisson, 18 anos, fez testes no Avaí. O atacante Eduardo, 19, jogou na Roma-PR, que o levou para uma excursão na Alemanha. “Dizem que ele foi muito bem lá. Aí o treinador disse que botou pra jogar outro que fez gol. Por isso não deu certo”.
Hoje, as principais apostas de Claudinho são o zagueiro Túlio, 16 anos, e o meia Jônatas, 13. “O Túlio é zagueiro central, alto e muito bom zagueiro. Inclusive eu fui saber que já foi encaminhado pro Grêmio. Ele está comigo já há bastante tempo. O Jônatas, de 13 anos, é um meia esperto, habilidoso, com bom toque de bola, e sabe fazer gol. Acredito muito nesse menino!”.
'Empresário tem que existir no futebol'
Claudinho não é contra a atuação dos bons empresários no futebol. “Eu acho que o bom empresário no futebol tem que existir, isso eu não tenho dúvida”. Porém ele não quer atuar nessa área. “Eu tenho mais vontade de fazer esse trabalho técnico que eu faço e ter contato com o empresário para empregar. Formar uma comissão técnica, eu como treinador, um auxiliar técnico e um preparador físico”.
Para conseguir dar mais esse passo em sua carreira, o ex-jogador espera contar com a ajuda de empresários e receber ainda mais alunos em sua escolinha. A intenção não só é usá-la como base para a formação de atletas, como evitar que os meninos entrem no mundo da marginalidade.
Escolinha do Claudinho: (48) 3225-1804 / (48) 9125-3485

| Cludinho quer aumentar sua turma |
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